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Kikas: “Gosto de estar concentrado, sem grandes distrações”

Desporto

Aos 25 anos, Frederico Morais é o segundo português, depois de Tiago Pires, a entrar para a elite mundial de surf

Nuno Botelho

Peniche recebe a partir desta sexta-feira, 20, a penúltima etapa do circuito mundial de surf. Entre os 32 melhores surfistas do mundo, Frederico Morais, o “nosso” Kikas, chega à capital da onda em 13.º do ranking, com 26 400 pontos e um prémio acumulado 126 mil euros. Este ano, a sua estreia na praia de Supertubos acontecerá no heat 12, a última bateria da ronda inaugural, lado a lado com o tricampeão mundial Mick Fanning e o rookie brasileiro Ian Gouveia

Como é a logística nestes dias de prova?

Neste caso vou e venho de carro, como a distância é relativamente curta, a logística é mais fácil. Quando vou por mais tempo e para mais longe é mais complicado. Preciso certificar-me que está tudo, que tenho a pranchas todas necessárias.

Quantas pranchas leva?

Depende, já viajei com 14 e outras vezes com oito. Não menos do que isso. Para Peniche, ainda não sei quantas levarei, mas irei a casa [em Cascais] de certeza.

Fez algum pedido especial à organização?

Não, nem pensar. Nunca pedi nada e sinceramente não sei quem peça. Cada um leva o que precisa. Temos uma zona de atletas que é comum a todos, onde podemos guardar as nossas coisas e onde podemos estar a ver o campeonato. Nessa zona temos o que precisamos quer seja para treino, fisioterapeuta, médico ou comida. Não somos nenhumas rockstars [risos].

Além do Kikas e do seu treinador, Richard Marsh, quantas pessoas o acompanham?

Mais ninguém, mas sempre que pode o meu pai vem comigo. Quando era pequeno, até aos 14 anos, viajávamos em família. Depois comecei a viajar sozinho, mas sempre que o meu pai podia, acompanhava-me. Agora com a entrada no circuito mundial, as provas são todas muito seguidas e em vários cantos do mundo, portanto fizemos umas escolhas e o meu pai veio apenas a algumas. Tenho a sorte de ter uma etapa em casa, portanto em Peniche vai ser casa cheia de amigos.

Que conversas “técnico-táticas” tem com o seu treinador Richard Marsh?

Nós conversamos sobre muitas coisas. Tenho uma relação muito estreita com ele, passamos muito tempo os dois, quer seja a competir ou a treinar. O Richard está sempre ao meu lado, em todas as vertentes da competição. Viajamos juntos, partilhamos casa em alguns locais, portanto acredito que toda esta vivência se tenha tornado em conversas técnico-táticas. Não há apenas um momento exclusivo para isso.

A prova de Cascais funcionou como treinos para Supertubos?

Sim, no sentido em que tive a oportunidade de ir surfar a Peniche porque são ondas diferentes. Foi muito bom surfar no Guincho, a minha praia, onde tudo começou, mesmo já não estando a correr o circuito de qualificação. Cascais tem sempre um lugar especial. Peniche é outra onda, outras condições, os treinos têm mesmo de ser lá.

Também é preciso ir ao ginásio?

Além de ginásio e muito surf faço muay thai, uma arte marcial que implica não só a componente física, mas também psicológica, na parte da concentração.

Como é a sua alimentação em dias de prova?

Não tenho uma dieta alimentar que siga à risca. Tento sempre equilibrar e diversificar ao máximo aquilo que como, adequando às exigências do meu corpo, obviamente. Mas se sei que vou treinar mais e precisar de mais energia tento ingerir alimentos apropriados, mas não tenho uma “receita” na alimentação.

Durante a competição como é o seu dia-a-dia?

Acordo e deito-me sempre cedo. As chamadas para a competição são sempre relativamente cedo, por volta das sete, sete e meia da manhã. Os dias são encarados como de competição e de trabalho portanto é importante estar tranquilo. Não são dias em que faça questão de convívio, gosto de estar concentrado, sem grandes distrações.

E à noite, o que fazem os 32 melhores surfistas do mundo todos juntos na mesma vila?

Não estamos todos juntos. Cada um está na sua casa [alugada] ou no hotel. Às vezes, podemos estar com o resto da equipa da marca de que somos atletas, mas é sempre importante termos o nosso espaço.

O surf é um meio muito competitivo? Criam-se grupos e há rivalidades?

É um desporto de competição, individual. Estamos todos ali para ganhar, para dar o nosso melhor e ganharmos o heat. Acredito que ninguém leva isso de forma pessoal porque esta é a nossa profissão. Não somos um grupo de amigos que de alguma forma possamos derrotar-nos uns aos outros. Somos atletas profissionais cujo objetivo é chegar o mais longe possível no ranking. Pelo menos, encaro as coisas assim, não personalizo quando me ganham ou quando eu ganho.

O que é que Supertubos tem de diferente para ser uma das suas provas preferidas?

Para já é uma prova em casa, na nossa costa que oferece condições magníficas para o surf.

Com quem gostava de ir à final?

Penso sempre heat a heat, não começo uma prova já a pensar na final.