Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

America’s Cup, o troféu que os americanos ainda não se habituaram a perder

Desporto

Mário David Campos

  • 333

É já este sábado que arranca a mais antiga competição do mundo. À exceção do troféu, e do facto de continuar a ser disputada no mar, quase não há semelhanças entre a edição de 1851 da America’s Cup e a que vai decorrer este sábado ao largo das Bermudas. Icem as velas que a prova vai começar.

Ainda nem Pierre de Cobertin tinha nascido, e muito menos os Jogos Olímpicos da era moderna com que o Barão haveria de sonhar anos mais tarde, e já americanos e ingleses andavam a disputar o mais velho troféu do mundo. A 'Taça das 100 libras' que alguns, perdidos na tradução e no câmbio, apelidaram erradamente de taça dos 100 guinéus é, porventura, o título que mais tempo esteve nas mesmas mãos. Durante loooooongos 132 anos, desde a primeira edição até 1983, pertenceu sempre aos Estados Unidos, variando apenas a cidade de origem do vencedor. Ainda hoje é o New York Yatch Club que detém o recorde imbatível de 25 conquistas.

O facto de ser disputado com intervalos que agora variam entre três e quatro anos – embora esse hiato nem sempre tenha sido assim ao longo dos tempos – e daí que esta seja apenas a 35ª edição, ainda faz crescer mais água na boca e aumentar a rivalidade e a tensão entre os competidores. Por aí, na verdade, as coisas também não são muito diferentes. Mas longe vão aquelas embarcações enormes, construídas em madeira e cheias de mastros e velas, dificílimas de manobrar. Os dois competidores, o Oracle Team USA, a defender o título conquistado em Valência em 2010 e repetido em 2013 na baía de São Francisco, vai ter pela frente o Emirates Team New Zealand. Ambos competem com os AC50, catamarãs construídos especificamente para o evento e que podem atingir velocidades alucinantes de quase 90 quilómetros por hora, em cima da água.

Em 2013, o sindicato – é assim que são designadas as equipas – americano protagonizou uma das mais extraordinárias reviravoltas de sempre. Depois de estar a perder por 8 regatas a 1, o Oracle venceu por 9-8.

Desta vez, e como vem acontecendo desde há alguns anos, o desafiante teve de ser apurado por entre diversos sindicatos. A Taça Louis Vuitton, assim se designa essa competição para encontrar o finalista, foi ganha pelos neozelandeses, que começaram por bater os ingleses do Land Rover BAR e depois, na meia-final, não deram hipóteses aos suecos do Artemis Racing. Pelo caminho já tinham ficado os franceses do Groupama Team France e os japoneses do Softbank Team Japan.

Construídos em fibra de carbono e com especificidades para esta competição, os AC50 são assim chamados por terem 50 pés de comprimento, ao contrário dos 72 dos que competiram em 2013. De resto, o investimento de cada sindicato varia entre os 30 milhões de euros, no caso dos franceses do Groupama e os 190 a 210 milhões de euros nos casos do Oracle e do Land Rover Bar. Só as embarcações, que pesam quase 2,5 toneladas, custam 5 milhões de euros. Cada asa (a vela principal) ronda os 900 a um milhão de euros.

E os timoneiros de cada sindicato, como os casos de Jimmy Spithill, o australiano que comanda o Oracle Team USA, ou o de Peter Burling, o neozelandês do Emirates Team New Zealand, têm contratos de vários milhões de euros, ao nível dos melhores desportistas do mundo.

Disputada à melhor de 13 regatas (vence quem atingir as sete vitórias), a America’s Cup promete fortes emoções a partir deste sábado nas águas de Great Sound, ao largo de Hamilton, nas Bermudas.