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Casos de doping retroativos? Sim, e a culpa é da Rússia

Desporto

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© Maxim Shemetov / Reuters

A mudança de política após o escândalo de dopagem russo em 2015 e as novas técnicas para detetar substâncias ilegais fizeram o COI punir mais de 100 atletas dos Jogos Olímpicos de 2008 e 2012

Mais três atletas foram punidos por dopagem nos Jogos Olímpicos de... Pequim 2008 e Londres 2012, anunciou, esta semana, o Comité Olímpico Internacional. O ucraniano Vasyl Fedoryshyn (2008) , o uzbesque Artur Taymazov (2008) e a russa Svetlana Tzarukaeva (2012) receberam sanções após novos exames antidopagens apontarem substâncias ilegais.

O motivo por terem sido puidos apenas agora, tantos anos depois de subirem ao pódio, está ligado à melhoria das técnicas para detetar substâncias ilegais e a luta do COI em limpar a sua imagem, após o escândalo que envolveu a Rússia em 2015.

A Wada, agência mundial de antidopagem, anunciou em 2015 que existia um esquema patrocinado pelo governo russo para encobrir a dopagem de atletas nos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno. Pelo menos 643 testes positivos foram adulterados para proteger atletas russos. Na sequência deste escândalo, a Rússia foi impedida de participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

O Comité Olímpico Internacional decidiu, depois disso, intensificar a prática de novos testes referentes a análises realizadas durante Olimpíadas anteriores. Ao todo, 1.053 amostras do evento da China e 492 dos Jogos disputados no Reino Unido já foram examinadas novamente. Isto só foi possível porque as amostras de urina ficam guardadas para novos exames durante oito anos. Depois do escândalo de 2016, as asmostras passaram a ficar guardadas por dez anos.

As técnicas mais eficientes para detetar substancias dopantes fizeram disparar o número de exames positivos. Entre 2009 e 2015, seis atletas haviam recebido alguma punição após um novo exame de antidopagem. Nos últimos dois anos, já são 104 atletas punidos por causa de novos exames.

No caso dos Jogos de Pequim, são 65 punições (cinco ocorreram antes dos novos testes). Destes casos, 40 envolviam ateletas medalados. Em relação aos Jogos de Londres, são 65 punições, 20 referentes a atletas medalhados.

Os novos testes chegaram a atingir Usain Bolt. A lenda jamaicana, que havia conquistado o ouro em todas as provas que disputou em 2008, 2012 e 2016, não foi "apanhado" em nenhum exame antidopagem, mas perdeu a medalha referente aos 4x100m dos Jogos de 2008. Isto porque Carter, membro da equipa jamaicana naquele ano, foi apanhado num dos novos testes e anulou o ouro dos outros três jamaicanos da prova.