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'Faça uma pausa, venha a Rabo de Peixe'

Cultura

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Muitas tintas para a segunda edição do festival de arte urbana Walk & Talk, que aconteceu em São Miguel, nos Açores, entre 27 de julho e 12 de agosto.
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Muitas tintas para a segunda edição do festival de arte urbana Walk & Talk, que aconteceu em São Miguel, nos Açores, entre 27 de julho e 12 de agosto.

Liqen, o visionário: O galego de 31 anos já pintou pelo mundo inteiro. «Sempre fiz imagens obscuras, ideias do subconsciente, da relação do homem contemporâneo com o meio que o envolve», conta.
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Liqen, o visionário: O galego de 31 anos já pintou pelo mundo inteiro. «Sempre fiz imagens obscuras, ideias do subconsciente, da relação do homem contemporâneo com o meio que o envolve», conta.

Em Ponta Delgada, pintou «um satélite de lixo», uma máquina-humana, «uma visão que tive a dormir», acrescenta. «Já não somos muito diferentes disto», remata.
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Em Ponta Delgada, pintou «um satélite de lixo», uma máquina-humana, «uma visão que tive a dormir», acrescenta. «Já não somos muito diferentes disto», remata.

O canadiano Roadsworth, 38 anos, rendeu-se a São Miguel: «este lugar é especial.» Peter Gibson, de seu nome verdadeiro, costuma deixar graffitis no chão das cidades, mas no porto de Ponta Delgada preferiu pintar na parede e fazer lagartixas nas pedras que detêm o mar. «Gosto sempre de chamar a atenção para algo que já existe no lugar.»
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O canadiano Roadsworth, 38 anos, rendeu-se a São Miguel: «este lugar é especial.» Peter Gibson, de seu nome verdadeiro, costuma deixar graffitis no chão das cidades, mas no porto de Ponta Delgada preferiu pintar na parede e fazer lagartixas nas pedras que detêm o mar. «Gosto sempre de chamar a atenção para algo que já existe no lugar.»

Phil Allard, outro canadiano a participar no Walk & Talk, faz intervenções com objetos de desperdício, para chamar a atenção para as questões ambientais. Em Ponta Delgada, fez rolar pelas ruas da cidade uma enorme bola criada com embalagens usadas, que está agora em exposição à porta da galeria-bar Arco 8.
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Phil Allard, outro canadiano a participar no Walk & Talk, faz intervenções com objetos de desperdício, para chamar a atenção para as questões ambientais. Em Ponta Delgada, fez rolar pelas ruas da cidade uma enorme bola criada com embalagens usadas, que está agora em exposição à porta da galeria-bar Arco 8.

Foi ali, à entrada da cidade, na fachada do Arco 8 que, na primeira edição do Walk & Talk, o português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, deixou esculpidos dois rostos: o do dono da galeria-bar e o de um pescador.
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Foi ali, à entrada da cidade, na fachada do Arco 8 que, na primeira edição do Walk & Talk, o português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, deixou esculpidos dois rostos: o do dono da galeria-bar e o de um pescador.

Este ano, Vhils escolheu a ruína de uma casa isolada (em Canada de Mata Mulheres) para fazer a sua intervenção. O rosto de Diana, uma das organizadoras do festival, está agora esculpido ali, tal como as suas mãos, naquele que quer ser um abraço à ilha.
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Este ano, Vhils escolheu a ruína de uma casa isolada (em Canada de Mata Mulheres) para fazer a sua intervenção. O rosto de Diana, uma das organizadoras do festival, está agora esculpido ali, tal como as suas mãos, naquele que quer ser um abraço à ilha.

Nas Portas do Mar, Diogo Machado deixou uma das suas intervenções em azulejo. Num fantástico trompe l’oeil, aquilo que parecem azulejos tradicionais portugueses revelam-se desenhos cheios de pormenor, com figuras contemporâneas.
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Nas Portas do Mar, Diogo Machado deixou uma das suas intervenções em azulejo. Num fantástico trompe l’oeil, aquilo que parecem azulejos tradicionais portugueses revelam-se desenhos cheios de pormenor, com figuras contemporâneas.

Eime, 26 anos, é capaz de estar, durante horas, a recortar as folhas que darão origem, primeiro, a um enorme stencil e, mais tarde, a uma impressão na parede. O cenógrafo que vive no Porto prefere trabalhar com caras e, em Ponta Delgada, pintou um grande rosto de uma velhota, carregado de rugas.
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Eime, 26 anos, é capaz de estar, durante horas, a recortar as folhas que darão origem, primeiro, a um enorme stencil e, mais tarde, a uma impressão na parede. O cenógrafo que vive no Porto prefere trabalhar com caras e, em Ponta Delgada, pintou um grande rosto de uma velhota, carregado de rugas.

Hazul, um artista do Porto de 31 anos, está habituado a pintar sem ser visto e a fugir da polícia pelas ruas que Rui Rio não quer ver sujas de graffiti. Pinta os tapumes que cobrem os prédios abandonados: «costumo dizer que trabalho em parceria com a Câmara...», brinca.
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Hazul, um artista do Porto de 31 anos, está habituado a pintar sem ser visto e a fugir da polícia pelas ruas que Rui Rio não quer ver sujas de graffiti. Pinta os tapumes que cobrem os prédios abandonados: «costumo dizer que trabalho em parceria com a Câmara...», brinca.

Hazul gosta de criar imagens «harmoniosas, enquadradas no lugar e sem serem intrusivas ou sem incomodarem».
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Hazul gosta de criar imagens «harmoniosas, enquadradas no lugar e sem serem intrusivas ou sem incomodarem».

Okuda, 31 anos, veio de Espanha e trouxe o seu estilo inconfundível de formas geométricas super coloridas. Habituado a pintar pelo mundo e a expor em galerias, confessa: «Volto a nascer de cada vez que pinto em grandes fachadas».
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Okuda, 31 anos, veio de Espanha e trouxe o seu estilo inconfundível de formas geométricas super coloridas. Habituado a pintar pelo mundo e a expor em galerias, confessa: «Volto a nascer de cada vez que pinto em grandes fachadas».

Em Ponta Delgada, fez a sua intervenção nos silos da Fábrica Moaçor. «O mais apaixonante é fazer coisas na rua para todos, não só para quem gosta de arte.»
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Em Ponta Delgada, fez a sua intervenção nos silos da Fábrica Moaçor. «O mais apaixonante é fazer coisas na rua para todos, não só para quem gosta de arte.»

José Carvalho, 32 anos, e Tamara Alves, 28, um lisboeta e uma algarvia, começaram a trabalhar juntos em 2010. Os estilos complementam-se e é comum encontrar nas suas pinturas elementos da vida selvagem misturados com elementos humanos. Nos silos do Clube Naval de Ponta Delgada, desenharam duas figuras, mistura de mulher, polvo e veado.
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José Carvalho, 32 anos, e Tamara Alves, 28, um lisboeta e uma algarvia, começaram a trabalhar juntos em 2010. Os estilos complementam-se e é comum encontrar nas suas pinturas elementos da vida selvagem misturados com elementos humanos. Nos silos do Clube Naval de Ponta Delgada, desenharam duas figuras, mistura de mulher, polvo e veado.

De Leiria, mas a viver e dar aulas na ilha Terceira, Inês Ribeiro, 31 anos, não podia ter ficado mais contente com a parede que escolheram para ela: a fachada da Associação Alternativa de apoio a toxicodependentes. Foi ali que, no seu estilo naif, desenhou a história dos homens que ganham asas e voam.
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De Leiria, mas a viver e dar aulas na ilha Terceira, Inês Ribeiro, 31 anos, não podia ter ficado mais contente com a parede que escolheram para ela: a fachada da Associação Alternativa de apoio a toxicodependentes. Foi ali que, no seu estilo naif, desenhou a história dos homens que ganham asas e voam.

O ilustrador e graffiter lisboeta Mário Belém, 35 anos, encheu de azul as piscinas naturais dos poços de São Vicente, na costa norte de São Miguel.
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O ilustrador e graffiter lisboeta Mário Belém, 35 anos, encheu de azul as piscinas naturais dos poços de São Vicente, na costa norte de São Miguel.

Vieram as latas de spray, mas não veio o escadote. Por isso, José Carvalho, 32 anos, graffiter de Lisboa, sobe para as cavalitas de Carlos, homem de pele morena do sol e pronúncia açoriana cerrada, que com ele partilha a idade, mesmo parecendo já lhe levar alguns anos de avanço. Com movimentos certeiros, Zé traça os contornos de um pássaro na parede, sob o olhar atento de dezenas de crianças, jovens e homens de barba rija - só rapazes, que, por estes recantos de Rabo de Peixe, a norte da ilha de São Miguel, menina quase não entra. Com ele veio Topo, nome de guerra do venezuelano Daniel Rivero Baralt, mais um a partilhar a idade, e que, dias antes terminou um enorme graffiti numa parede ali do bairro 13 virada para o mar. Topo e Eme (artista espanhola) espalharam os seus desenhos por pranchas de esferovite com que as crianças se aventuram nas ondas, ténis de marca desconhecida que ganharam símbolos da Nike, bicicletas... os pedidos eram diários e variados, neste lugar conhecido como um dos mais pobres da Europa. "No princípio foi só uma parede boa, depois transformou-se em muito mais do que isso", diz o venezuelano a morar na Bélgica desde 2007. Tanto que não resistiu e voltou para pintar em Rabo de Peixe, dias depois, com José Carvalho. Num restaurante abandonado em cima do mar, pintam pela noite dentro, com os rapazes sempre a tentarem deitar mão a uma lata de spray. António, uns 14 anos, lá experimenta, guiado pelos dois graffiters e até revela jeito para a coisa, ao terminar o desenho de um rabo de peixe inventado por Topo. "Take a break, come to Rabo de Peixe", não se cansa de dizer o venezuelano. "É um ambiente duro, mas as pessoas são independentes e criativas. Precisam de ter contacto com a arte, com as cores. Se conseguem fazer uns chinelos de esferovite e fio de pesca em poucos minutos, como vi aqui, hão-de conseguir ir por outros caminhos também", sublinha Daniel. De lata de spray na mão, o mundo parece bem mais colorido.