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As sete vidas do Porto (FOTOS)

Cultura

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Os portuenses trocaram o marasmo e a morrinha pela movida. Bares, galerias, lojas e eventos agitaram ruas e deram glamour a quarteirões decadentes. O Porto está no mapa e a Baixa na moda. Falta. habitá-la. Há vida para além dos copos?

Sentado numa das mesas do Café Piolho, horas antes de a Praça Parada Leitão se transformar no habitual enxame das noites de sábado, o radialista Álvaro Costa folheia o Financial Times. A leitura das páginas salmão recorda-lhe uma evidência: agora, já não precisa de andar com uma lupa à cata de notícias sobre o Porto na Imprensa internacional. Dos jornais de referência às sedutoras Wallpaper e Monocle "têm sido publicadas muitas e boas coisas. Isto está a mexer!".

Nas artérias das redondezas borbulha esse novo burgo, renascido da oratória da lamúria. Arranham-se guitarras para os concertos de rua do Porto Sounds e reservar mesa para jantar pode ser um martírio antes do mergulho nas seduções que a noite tece. "Mistura de Antuérpia, Bruges e Amesterdão, com uma pitada de Dublin", eis a cidade que salta agora aos olhos, "sem mortos nem feridos", diz Álvaro Costa.

Baixa é conceito vago, não se sabe onde começa e acaba.

Das janelas da Rua da Torrinha saem sons de violinos desencontrados. Nas Galerias Lumière, dão-se os últimos retoques nos preparativos para mais um flashback musical até o dia raiar. No Espaço 77 da Travessa de Cedofeita fritam-se os rissóis que vão aconchegar os estômagos líquidos e dançantes da Casa de Ló ou do Pherrugem. O Rádio deixou a sua gruta em Miragaia e botou corpo: agora é esplanada, bar e discoteca com varanda para a Praça Filipa de Lencastre, desassossego das almas noctívagas e dos hóspedes do Hotel Infante Sagres (conta-se que, no início da movida, um sheik árabe terá saído desaustinado do quarto, a meio da noite, enfurecido com o marulhar da onda tripeira).

Na Rua da Galeria de Paris, a Meca do momento, a tarde cai lenta no bar-restaurante com o mesmo nome, rodeado de armários antigos que guardam velhos rádios, brinquedos, cartazes de cinema e outras memórias feitas relíquias.

Mas a noite não tarda e entupirá a rua.

Quase defronte, a Casa do Livro espera nova enchente madrugada dentro, enquanto o piano descansa de outras folias tardias.

Em dias de semana, o ritmo do camartelo e o corrupio de camiões com entulho anunciam um processo de renovação em curso na Rua do Almada, que já foi "dos ferreiros. Na artéria freak, onde o restaurante Cão Que Fuma ainda é, para alguns, ponto de partida para a noite, refazem-se fachadas e pintam-se casas para alugar e vender. Isto, anos depois da chegada da loja-galeria-livraria-bar Maria Vai com as Outras e das montras de vinis, de mobiliário vintage, de artesanato urbano, de vestuário, da seita da lomografia e outras devoções.

Design arrojado de interiores, espírito inventivo e filosofias não convencionais associadas aos negócios determinam cultos, diferenciam lugares, impõem estilos. "O Porto tem hoje espaços com um cuidado estético e um conceito associado que são quase imbatíveis", sugere Pedro Araújo, que abriu o Cafe au Lait no silêncio sepulcral da hoje incontornável e ruidosa Galeria de Paris. "Da arquitetura ao mobiliário, da música às bebidas, quis dar personalidade e coerência ao lugar", justifica o dono deste café-bar, moderno e antigo q.b., frequentado por senhoras "chá das cinco ", profissionais liberais e estudantes wireless, conforme as vagas do dia.

Noite dentro, com o cartão de consumo obrigatório abolido na maioria dos espaços bebíveis, o Porto, mais democrático, desagua em definitivo na rua, entrando e saindo dos sítios quando e como lhe dá na telha.

Para Álvaro Costa, este bulício deu à Baixa um ar de "centro Erasmus rock & roll", com ritmos e traços "da geração digital" a refletirem-se em "movimentos artísticos e tendências que vão do sítio x à maluqueira z". Não faltam o toque bourgeois, decorações e postura retro chic, ares de "capitalismo copofónico " e figuras como Rui Moreira, da Associação Comercial do Porto, "o nosso Bernard Henri-Lévy. Tão confortável a pensar a cidade, a comer uma francesinha ou a tomar café em Tóquio". A urbe vive "o seu PREC tardio. O 25 de Abril está ainda muito fresco, mas lá chegará o 25 de Novembro", antecipa o animador da emissora pública.



E, NO ENTANTO, MOVE-SE...

Foi tudo muito rápido. Mas não tão rápido assim.

Há uns anos, Álvaro Costa punha o pé fora do edifício da RDP na então deprimente Rua Cândido dos Reis e já sabia que ia encontrar "a puta que, todos os dias, prometia deixar a vida" e dar de caras com o "seu" Hitler Manson, "uma dessas figuras de cérebro avariado que vagueiam pela cidade com discursos a norte de Hitler e a sul de Charles Manson".

Nesse tempo, a Baixa era ainda "vida de esquina", recorda o jornalista. Sucediam-se, como na canção, ruelas e calçadas de "pedras sujas e gastas". Lampiões "tristes e sós" iluminavam prédios devolutos, moribundos armazéns de tecidos e o caminhar de uns quantos "fantasmas" inseguros.

Da animação gerada pela Capital Europeia da Cultura, em 2001, nem rasto. O Porto estivera in, é verdade, mas o novo executivo camarário estava out e com a ressaca de obras do evento para pagar. Acabadinho de chegar ao município, Rui Rio prometera guerra aos interesses instalados, pondo-se a jeito: "Ainda não me chamaram inculto, mas pouco falta." Chamaram-lhe isso. E muito mais.

O fascínio da Invicta sobrevivia, lá fora, à custa do habitual tom sépia, ilustrado com o Vinho do Porto, o Douro, as pontes e o casario da "pitoresca cidade" em cascata, vestida com aquilo a que alguns chamam "o charme da decadência ". Desafinado do eterno postal, só o quinteto Universidade, Arquitetura, Serralves, Casa da Música e FC Porto galgava fronteiras e impressionava a exigente e seleta Europa da champions league.

Contestado, La Féria ocupava, entretanto, o Rivoli. Famílias varreram a naftalina da toillete e voltaram a incluir o teatro na agenda. "Não sofro de complexos de intelectualismo. Por isso, no confronto com a cidade só para alguns, ainda bem que ganhou a cidade para todos", refere Hélder Pacheco, historiador do Porto.

Algo nunca visto anunciava-se, porém, no horizonte.

Não era pássaro nem Super-Homem, mas avião, ele mesmo. Vieram rotas e aparelhos mil. O mundo ligou-se à cidade voando a baixo preço. Aterraram mais turistas. O movimento registado no primeiro semestre deste ano assinala: dez por cento já o fazem em busca da animação noturna.

Com eles, nas asas do low-cost, vieram também estudantes, sobretudo do programa Erasmus. Na sua maioria, os alunos estrangeiros escolhem a Universidade do Porto, líder destacada no País neste tipo de acolhimento. Cerca de 40 mil universitários vieram de fora do Porto. No ano passado, chegaram mais jovens oriundos do Brasil, Espanha, Itália, França e outros países. Quase 1200 adotaram a Invicta como residência temporária. até ver.

Em 2007, o New York Times já havia notado que o Porto cultivava "o gosto pelo novo". Apontava as galerias de arte e o espaço Maus Hábitos como sinais refrescantes de uma metrópole que, desafiando sentenças de morte, até se movia. O charme, a cultura e "o baixo custo de vida" excitaram o Guardian, de Londres. Para o engravatado Times, o Porto era, além disso, um bom investimento imobiliário, imune às oscilações do mercado e "com retorno de longo prazo garantido". A reabilitação urbana, a melhoria de infraestruturas, transportes e hotéis, a oferta de voos e uns 25 campos de golfe nos arredores, tornavam a Invicta acessível e apetecível aos olhos do diário britânico.

Prestigiada revista turística norte-americana, a Sherman´s Travel incluiu o Porto numa lista de dez cidades ideais para um turismo inteligente, excitante e extravagante, a par de Edimburgo, Istambul ou Viena. Numa das suas últimas visitas, o espanhol El País vira o Porto agarrar o futuro "em contra-relógio ", atravessando ruas carregadas de História onde ainda parecia "ouvir-se a música de Duke Ellington". Os portuenses, esses, andavam orgulhosos de ser "os mais cosmopolitas do País".

Regressado este ano, o diário de Madrid encontrou uma cidade "mais pura" do que Lisboa "nas suas propostas de desenho, arte contemporânea e cultura urbana". Ícone dessa dinâmica, a Rua Miguel Bombarda, povoada de "jovens modernos, fanáticos das calças cigarette e do iPhone, que sonham ser artistas".



TRADIÇÃO E MODERNIDADE

Afinal, de onde saíra este Porto, dado como desaparecido e moribundo? Antes de procurar a resposta, o menos avisado terá de apurar as manias dos indígenas. Saber que, primeiro, rosnam a tudo o que soe a novidade e olham de lado, desconfiados. Aos poucos, porém, começam a descobrir alguma utilidade nas coisas.

Por fim, aderem. Fanáticos. "O Porto, agora, é desta geração viajada, que estudou fora e voltou para reinventar o gene tripeiro", crê Hélder Pacheco, a olhar a rua onde nasceu, na Vitória, da janela do bar/restaurante 3C.

Este espaço da zona das Carmelitas recuperou fotos antigas da cidade e decalcou numa parede, orgulhoso, as palavras do escritor portuense. O espaço é exemplo vivo da mistura da tradição burguesa da Invicta com marca cosmopolita: jovens criadores e artistas jantam ao lado de famílias da Foz e de ilustres portuenses como Miguel Veiga. "Temos massa crítica, fidelidade ao orgulho de ser portuense e um bairrismo que é uma força moral e cívica, ao contrário do que dizem alguns idiotas e atrasados mentais", reclama Hélder Pacheco com a autoridade de 41 livros bem calcorreados sobre o Porto. Sinal dos tempos, o Barclays e o Millenium BCP, convidamno agora para dar palestras aos seus quadros superiores e responder à pergunta sacramental: o Porto tem futuro?

Se a cidade de carros de bois, com 85 por cento de analfabetos, pobreza miserável e burguesia empreendedora foi capaz de erguer sozinha, no século XIX, o Palácio de Cristal, hoje a resposta também é. sim! "Quem está a dar a volta ao Porto é uma geração que não espera acontecer. Propõe e faz", resume Rodrigo Affreixo, jornalista da Time Out, dj nas horas vagas. Alguns desses jovens, ligados às artes, à moda e ao design passam pelo Candelabro, café-bar nascido no lugar de um alfarrabista moribundo, onde Rodrigo beberica uma cerveja de fim de tarde. A cena gay também deixou o recato. Abre novos espaços, orgulhosos, nas ruas que estão a dar. "No fundo, é toda uma geração descomplexada a mexer com a cidade quase 24 horas. Abre lojas e galerias de dia e ainda curte a noite", conta o antigo assessor do Teatro São João.

A geração de Rodrigo, entre os 40 e os 50 anos, viveu outra grande movida. "Mais quieta e passiva", finais dos anos 80.

Era o tempo da Ribeira, dos petiscos do Muro, da religião Aniki-Bóbó, do jazz do Meia Cave, do piano de António Jorge Branco no Zebras, dos míticos concertos do Luís Armastrondo, o "Rock Rendez-Vous" do Porto, por onde passaram Sitiados, Mão Morta, Bramassaji, entre outros. O Meu Mercedes é Maior que o Teu abriria portas anos mais tarde, matando saudades do Menos Que Zero, em Miragaia, onde a persistência da memória ficara marcada pelo relógio derretido de Dalí nas paredes e os sons de Pixies e Violent Femmes nas colunas.

O Porto era de ilhas, mas nunca arquipélago.

A Foz tinha o Indústria e a Dona Urraca (Pop), entretanto regressados às lides. Tinha ainda Rui Aires, empresário da noite e outras coisas mais "que, um dia, numa fisgada meio trotskista, transformou o Twins numa casa de meninas", recorda Álvaro Costa. Na Boavista, ia-se ao Swing (agora de volta). Ou ao Strong, no Centro Comercial Dallas, ver os Trabalhadores do Comércio. No Shopping Brasília, no Griffon's, ouviam-se os discos que só uns poucos tinham dinheiro para trazer de Londres, casos de Cocteau Twins ou The Sound. Na fase adiantada da noite, já com o álcool a fazer das suas, ia-se ao Number One para dizer mal.

Com os anos, impuseram-se as "fábricas de carne" ou "talhos da noite", assim batizados por alguns noctívagos. Referem-se às discotecas gigantes, sobretudo da zona industrial, com música indiferenciada e figurões associados a expedientes e negócios pouco claros.

Depois, a geração sub-30 que hoje consome a Baixa, ergueu as suas catedrais, entre a Tendinha dos Poveiros, o Pipas, a Gesto e o Contagiarte. "Essa coisa de ter um bar para impressionar as gajas e ficar rico é muito eighties. A diferença entre esse Porto e o de hoje é que, nessa altura, para papares umas dinamarquesas e holandesas, tinhas de fazer o inter-rail. Agora, elas andam todas aí", ri-se Álvaro Costa, a quem os 50 anos bem vividos e uma filha de 10 já reclamam "o desamparar da loja".



A CIDADE EM CONSTRUÇÃO

Na ponte entre gerações, o Porto andou triste e macambúzio, mas sem perder a bússola. Irredutível continua António Guimarães, o "Becas" do antigo Aniki-Bóbó, dono do Passos Manuel, situado na chamada "Alta Baixa", perto do Coliseu. A mancha de óleo da movida começou aí e desaguou, dos Maus Hábitos ao Pitch, nas cercanias do Rivoli.

"Conheço gente que vai às Galerias, mas não atravessa a fronteira da Avenida dos Aliados. Dentro de um, dois anos, fecharão os maus e os oportunistas. Campanhã, onde hoje nascem ateliês e galerias, é que vai dar", prevê o empresário, três décadas na noite.

À Câmara, que chegou tarde a este movimento, pedem-se, entretanto, regras e disciplina na gestão do espaço público, impedindo o prolongamento do horário dos cafés e até de mercearias, a venda de bebidas na rua, a anarquia do botellón, a limpeza eficaz do dia seguinte e, já agora, menos burocracia nos licenciamentos.

Quanto ao resto, "a melhor postura é o do not disturb, se fazem favor", refere Pedro Araújo, do Cafe au Lait, juntando a sua a outras vozes.

"Quanto mais invisíveis formos, melhor. É sinal de que o Porto criou as suas próprias dinâmicas", admite Vladimiro Feliz, vereador do Turismo, Inovação e Lazer, sem abdicar de mobilizar ações e vontades "onde sejam necessárias". Em breve, o município dará resposta às queixas. "Só o faremos agora porque não quisemos travar a movida. Uma atitude de rispidez matá-la-ia à nascença, reconhece. No próximo ano, a aposta é internacionalizar de vez as festas de São João, "já com procura significativa no estrangeiro". Os batimentos do coração da cidade vão obedecendo a vários estímulos e tribos, com gente vinda dos arrabaldes, de Braga, Viana do Castelo, Vila Real, de Lisboa, da Galiza e outros pontos de Espanha.

Um certo Porto refratário, do Gato Vadio à Casa Viva, exibe filmes palestinianos e africanos, promove poetas malditos, workshops contra a corrente e resiste à domesticação. No Artes em Partes ou no Centro Comercial Bombarda, Marina Costa, "desiludida com a fuga de uma elite interessada, entendida e com poder de compra", continuará, mesmo assim, a alugar espaços e a vender CD, vinis e roupas usadas, óculos, calçado, carteiras e um sem-fim de peças originais made in Porto. Vista da Rota do Chá, no Soho portuense, a urbe talvez precise "de gerir a anarquia" e vender "cosmopolitismo, a sua vantagem competitiva", refere Miguel Ortigão, gerente desta Tea House, com sala indiana e pátio interior marroquino.

Expande-se, entretanto, o Porto dos mercadinhos, das ruas tomadas de assalto por performances, concertos, velharias, festivais e feiras mensais de artigos em segunda-mão ou de último grito. Para tudo e algo mais há sempre um Plano B, no caso até com existência física. O espaço multiplex (galeria, bar e local de concertos) da Cândido dos Reis, pertença dos gémeos Filipe e João Teixeira arquiteto e artista plástico, por esta ordem é suporte de "iniciativas originais" e outras que tais. "Agora vamos investir na construção de habitação low-cost. Queremos gente a morar na Baixa a um preço justo e sem a mentalidade do velho senhorio portuense."

Sim, viver ou regressar ao centro tornou-se um sonho. Caro. Apesar disso, alguns apartamentos requalificados para venda ou aluguer têm listas de espera com centenas de pessoas. Para Hélder Pacheco, urge humanizar o viver, "atrair os novos, cuidar e manter os velhos, fazer a cidade inclusiva".

No Morro da Sé assim será: haverá idosos a viver paredes-meias com jovens universitários. Neste momento, a Sociedade de Reabilitação Urbana "tem o pé" em 34 quarteirões, cerca de 500 edifícios em toda a zona de intervenção da cidade, assinala o administrador Rui Quelhas, que visitou Hamburgo, Glasgow e Dublin para se inteirar da distância entre o possível e a utopia. "Apesar das burocracias, da legislação e de incompreensões várias, isto é irreversível. Para isso, foi preciso ter Rui Rio a falar de coesão social durante nove anos e um PDM virado para a Baixa", justifica. O investimento tem volta: "Cada euro gasto pelo Estado na requalificação multiplica por quatro".

Estrangeiros, famílias com filhos oriundas dos distritos à volta do Porto, outras da Foz e da zona ocidental, procuram casa na Baixa, comparam preços. Nos onze prédios da Mouzinho da Silveira que em breve estarão à venda, um T2 custará entre 170 e 200 mil euros e um T3 Duplex 300 mil. "Que não haja ilusões: habitações reabilitadas, novas, certificadas, terão o preço médio de um apartamento na Boavista", assume Rui Quelhas. "Manter os que cá estão e atrair outros, construindo uma cidade com tudo dentro", é, mesmo assim, o propósito. "Há cinco anos, faziam-se uma ou duas transações por semana. Agora, são duas ou três.por dia." Enquanto isso, "15 a 20 por cento das pessoas já larga o automóvel. Só falta o Metro perceber a dinâmica da noite".

Nos próximos meses e até ao primeiro semestre de 2011, a cidade terá mais dez hotéis, um de luxo, outros low-cost. Dez novos espaços, do regressado Café Luso ao renovado Hard Club, no Mercado Ferreira Borges, terão portas abertas. Prevê-se que a movida estenda passadeira vermelha até à Ribeira e esta volte a ser o que era.

Por muito tempo, o Porto ainda será um estaleiro.

De obras e novas experiências.

Continuará quase sem salas de cinema, a depender da carolice de companhias de teatro e a precisar "de um choque que lhe liberte o talento", no dizer de Rui Moreira, em entrevista ao Repórter do Marão. Mas, pelo menos, já ninguém poderá dizer que esteve quase morto no deserto. com o Porto aqui tão perto.