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A Guerra dos Tronos: a grande Batalha de Winterfell revista por um especialista em História militar

Cultura

O especialista em História militar, professor assistente no departamento de História da Universidade de Boston, e fã assumido da séria Game of Thrones, Jesse Tumblin, foi desafiado pelo Washington Post a rever as técnicas militares escolhidas para derrotar os White Walkers na grande Batalha de Winterfell. Será que os vivos adotaram a melhor estratégia? Já sabe, se ainda não viu o terceiro episódio da última temporada, fique por aí, o que se segue é uma sucessão de spoilers

Para Jesse Tumblin, o último episódio da série foi incrivelmente bem feito em termos televisivos mas... uma trapalhada no que diz respeito à estratégia militar.

A grande batalha começa com a cena arrepiante em que assistimos aos Dothraki a ser dizimados pelo exército dos mortos. A imagem aterradora na qual a linha atacante criada pelos Dothraki, que emitia através das suas espadas em chamas uma luz incandescente, se vai apagando pouco a pouco até desaparecer por completo na escuridão, ilustra o primeiro grande erro do exército dos vivos.

A defesa opta por avançar com a cavalaria, o que significou que os trabucos (arma semelhante à catapulta e utilizada na Idade Média) só puderam ser usados uma ou duas vezes, pois as tropas Dothraki chegaram demasiado rápido junto do exército dos mortos. Acabaram assim, por incapacitar uma das suas armas para garantir que não acertavam nos seus próprios soldados. Segundo Tumblin, a artilharia devia ter ficado mais perto, ou até mesmo dentro, das muralhas do castelo, para dar mais tempo aos Dothraki de avançar no terreno de batalha, enquanto eles tiravam maior proveito do uso dos trabucos. Sem esquecer que a utilização dos trabucos para atirar os projéteis incandescentes às tropas inimigas, também poderia ter ajudado a resolver o problema da falta de iluminação no campo de batalha.

Os Dothraki, a tropa mais rápida e móvel que os vivos tinham à sua disposição, foram chacinados logo no início da batalha em vez de poupados para possíveis manobras de flanco.

O segundo grande problema foi a utilização da infantaria. Para o especialista, a melhor estratégia adotada foi o “anel de fogo” criado à volta das muralhas, ateando fogo aos troncos de madeira cobertos com “vidro de dragão”, atrasando o exército inimigo. Contudo, ao colocarem tanto a cavalaria como a infantaria à frente dos troncos de madeira, acabaram por ficar encurralados entre estes e o inimigo, ou seja, quando precisaram de se retirar só tinham uma pequena brecha no “anel” por onde fugir, atrasando o processo e perdendo mais vidas.

Apesar de tudo isto, para Jesse Tumblin, o maior erro foi a má utilização dos dragões, “a única arma eficaz para ganhar a guerra”. Os dragões foram inicialmente poupados para salvaguardar a vida de Bran, em caso de confronto direto contra o comandante do exército da noite. Apenas depois de assistir à dizimação dos Dothraki é que Daenerys decide abandonar o plano e avançar com os dragões para ajudar a defesa.

O último grande erro foi desaproveitar a capacidade sobrenatural de Bran, de ver através dos olhos dos animais. Em vez de Bran ter sido utilizado como método de reconhecimento do campo de combate, ajudando a localizar o inimigo, foi enviado para um local afastado do comando de operações, onde não poderia ajudar na estratégia.