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Vamos todos escutar Saramago

Cultura

Inácio Ludgero

A celebração dos 20 anos da atribuição do Nobel da Literatura ao português José Saramago tem dois momentos altos já a partir deste fim de semana: uma maratona de leitura e uma exposição de fotografia, a não perder

D.R.

Há muitas maneiras de ressuscitar uma voz. Regressar sempre à leitura dos muitos livros que José Saramago deixou é uma forma de eternidade acessível a qualquer leitor. Mas as celebrações dos 20 anos de atribuição do Prémio Nobel ao escritor que nos legou romances intemporais como O Memorial do Convento (1982), O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984), As Intermitências da Morte (2005) ou A Viagem do Elefante (2008), contemplam outras homenagens. Uma delas é a especialíssima e inédita celebração em comunidade que acontece já este domingo, 9 de dezembro, a partir das 10h: 20 atores farão uma sessão ininterrupta de leitura da obra Todos Os Nomes (1997), uma maratona literária que tem lugar no Teatro Nacional D. Maria II (uma parceria com o Instituto Camões e o Gabinete do Primeiro-Ministro).

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Mais homenagens

Depois desta leitura celebratória das duas décadas do galardão sueco, atribuído pela primeira vez a um autor português a 8 de outubro de 1988, segue-se ainda, às 18h30, uma outra cerimónia de homenagem. Germano de Almeida, Lídia Jorge, Mia Couto, Nelida Piñon e Ondjaki farão intervenções, intercaladas por leituras das felicitações então recebidas por José Saramago (assinaladas em Um país levantado em alegria, o livro recentemente lançado por Ricardo Viel, em que este faz um retrato minucioso dos dias em que Saramago, e o país, receberam a notícia). Também esta sessão terá entrada livre, sujeita à lotação da sala.

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Kim Manresa

Nadine Gordimer
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Nadine Gordimer

Kim Manresa

Orhan Pamuk
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Orhan Pamuk

Kim Manresa

Toni Morrison
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Toni Morrison

Kim Manresa

Wole Soyinka
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Wole Soyinka

Kim Manresa

Logo na segunda-feira, dia 10, há mais um momento marcante nas celebrações dos 20 anos da atribuição do Nobel a José Saramago: inaugura a exposição Silêncio e Memória – 23 Prémios Nobel de Literatura, uma produção conjunta da Câmara Municipal de Lisboa com a Fundação José Saramago. No Torreão Poente do Museu de Lisboa, revelam-se mais de 160 fotografias captadas pelo fotógrafo espanhol Kim Manresa, acompanhadas por excertos de entrevistas e pontos de leitura.

Manresa, fotógrafo multipremiado, captou num imaculado preto e branco retratos intimistas (e também registou as palavras) de escritores como Gabriel García Márquez, Naguib Mahfuz, Nadine Gordimer, Toni Morrison, Dario Fo, Doris Lessing, Patrick Modiano, e, claro, José Saramago. Numa das imagens, nomeadamente, o Nobel português surge com um sorriso singular, contrariando a sua imagem pública mais austera. A exposição Silêncio e Memória – 23 Prémios Nobel de Literatura inicia, em Lisboa, a sua itinerância europeia. E, durante a data expositiva, decorrerá um programa paralelo de conferências sobre estes escritores, a ter lugar na Fundação José Saramago (em parceria com a Embaixada da Suécia em Portugal). Vamos todos escutar Saramago, bem acompanhado.

Silêncio e Memória – 23 Prémios Nobel de Literatura, Museu de Lisboa -Torreão Poente, Praça do Comércio, 1, Lisboa. Até 24 de fevereiro, seg-sáb 10h -18h, €3

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    Cultura

    Em 'José Saramago: Rota de Vida', uma biografia exaustiva dedicada ao Nobel português, o jornalista Joaquim Vieira aí retrata o escritor como uma “personagem literária extraordinária”, um “doido por mulheres”, um “pragmático” e um comunista que deu dores de cabeça ao PCP