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Dentro da cadeia com o The Portuguese Prison Photo Project

Cultura

Uma das torres de vigilância do Estabelecimento Prisional de Lisboa, fotografada por Peter Schulthess

Dois fotógrafos, o português Luis Barbosa e o suíço Peter Schulthess, entraram em sete prisões nacionais, de câmara em punho. Dois anos depois, o resultado pode agora ser visto na exposição The Portuguese Prison Photo Project

Luis Barbosa e Peter Schulthess, os fotógrafos do The Portuguese Prison Photo Project

Luis Barbosa e Peter Schulthess, os fotógrafos do The Portuguese Prison Photo Project

Não é todos os dias que um outsider é autorizado a entrar dentro dos muros de um estabelecimento prisional, sobretudo se está acompanhado de uma câmara fotográfica e o objetivo é captar o que está dentro dos muros. Dois fotógrafos conseguiram esse privilégio: Luis Barbosa (nascido em 1975) e Peter Schulthess (1966) fotografaram sete prisões portuguesas: o Estabelecimento Prisional de Lisboa, Carregueira, Leiria, Guarda, Izeda, Santa Cruz do Bispo e Viseu.

Preso numa cela no Estabelecimento Prisional de Viseu, fotografia de Luis Barbosa datada de 2016

Preso numa cela no Estabelecimento Prisional de Viseu, fotografia de Luis Barbosa datada de 2016

O resultado dos dois anos de trabalho em que tiveram acesso a um mundo fechado pode agora ser visto no edifício da Antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto (que esteve em funcionamento entre 1767 e 1974), hoje casa do Centro Português de Fotografia (CPF), no Porto.

The Portuguese Prison Photo Project - assim mesmo, em inglês - é a exposição de 150 fotografias aí patente ao público a partir deste sábado, 9 de setembro e até 3 de dezembro. Um trabalho que reverbera a história deste local e que ambiciona mostrar a prisão pelo lado de dentro. O projeto partiu de uma ideia inicial do académico Daniel Fink, e reuniu fotógrafos, direção do CPF e investigadores das Universidades do Porto e Lausanne, tendo Luis Barbosa e Peter Schulthess sido autorizados pela Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais a entrar nas várias prisões, uma em Lisboa, a maioria no norte de Portugal.

São dois olhares sobre as instalações, os ritmos e as condições de vida, tanto de reclusos como de reclusas. Os dois autores revelam, aqui, abordagens distintas: as 47 fotografias tiradas por Luis Barbosa são a preto e branco e privilegiam as atmosferas das celas e dos espaços vividos assim como o ponto de vista dos detidos.

O pátio do estabelecimento prisional de Santa Cruz do Bispo destinado a reclusas femininas, fotografia de Peter Schulthess datada de 2016

O pátio do estabelecimento prisional de Santa Cruz do Bispo destinado a reclusas femininas, fotografia de Peter Schulthess datada de 2016

Peter Schulthess, por seu lado, preferiu uma abordagem documental, institucional, refletindo um olhar mais distanciado e frio nos enquadramentos, optando ainda pela cor nas 58 imagens apresentadas.

Às imagens contemporâneas, juntam-se ainda 46 fotografias de arquivo e outras 29 (projeção), resultantes da investigação levada a cabo nos arquivos nacionais pela professora Maria José Moutinho, da Universidade do Porto, que assim acrescenta uma dimensão histórica – e a possibilidade de estabelecimento de raccords e comparações - ao The Portuguese Prison Photo Project. Associada a esta exposição, realizar-se-á igualmente a conferência internacional Prisões em Portugal e na Europa: história, cultura e fotografia, com o apoio das Universidades do Porto e de Lausanne, nos dias 12 e 13 de outubro. Haverá ainda visitas guiadas à exposição nos dias 9 de setembro, 14 de outubro e 2 de dezembro.

Perspetiva a partir da cama de um prisioneiro, captada no Estabelecimento Prisional da Guarda, por Luis Barbosa, em 2016

Perspetiva a partir da cama de um prisioneiro, captada no Estabelecimento Prisional da Guarda, por Luis Barbosa, em 2016