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O regresso do mágico português que surpreendeu a América

Cultura

Mário David Campos

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Retrato Clandestino é o nome do mais recente espectáculo de Hélder Guimarães. A estreia mundial é em Lisboa, seguindo depois para o Porto

Estava ainda a ‘pós-verdade’ ou os ‘factos alternativos’ muito longe do discurso dos nossos dias e já Hélder Guimarães se especializara em contar histórias onde a ilusão de ótica e o engano andavam de mãos dadas apenas e só para espanto e deleite da assistência. Afinal, bem vistas as coisas, um prestidigitador, tal como qualquer político, também pode ter razão antes do tempo.

Retrato Clandestino, o espetáculo que o mágico Hélder Guimarães vai estrear em Portugal (de 9 a 12 e 16 a 19, no Teatro do Bairro, em Lisboa, e de 22 a 26 no Teatro do Bolhão, no Porto), "ter tudo a ver com os tempos que estamos a viver, tempos em que as pessoas estão a ser controladas mesmo sem o saberem". Criado a partir de episódios reais passados com ele próprio nos últimos anos, Retrato Clandestino "é uma espécie de aglomerado de histórias em que vou fazendo demonstrações de magia", conta Hélder Guimarães à VISÃO. A ideia, explica, "é levantar um pouco o véu sobre alguns truques mas sem os revelar, propriamente. No fundo é um espetáculo que pretende ser divertido mas também com um lado também didático".

Nascido no Porto há 34 anos, os últimos cinco deles a viver em Los Angeles, Hélder Guimarães já ganhou o reconhecimento do público, da crítica internacional e vários prémios, entre os quais o de mágico do ano em 2011 e 2012, concedido pela academia de artes mágicas de Hollywood. Nos Estados Unidos, onde vive desde 2012, começou por conquistar o público e a crítica, com ‘Nothing to Hide’, espetáculo que esteve três meses em cena na Broadway, sempre com lotação esgotada e a presença constante de numerosas estrelas do showbizz.

No ano passado, Hélder Guimarães também fez em Portugal a estreia mundial de Verso, antes de o levar para os Estados Unidos. Mas a vantagem de Retrato Clandestino, - que por lá "talvez se venha a chamar Clandestine Act, mas isso ainda está em estudo" – é o facto de ser "um trabalho mais portátil, que não exige estar tanto tempo numa sala".

O miúdo que aos quatro anos já fazia pequenos truques para os amigos e para a família, nunca perdeu o entusiasmo pela magia. Ainda tropeçou na Engenharia de Redes e Sistemas Informáticos mas desistiu por falta de vocação e formou-se em Estudos Teatrais, na ESMAE, antevendo já uma vida no palco. "Gosto muito de atuar, de estar em palco. Mas só me dá prazer fazer o que faço se as pessoas quiserem ver", confessa.