Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Né Ladeiras está de volta

Cultura

Divulgação

Outras Vidas é o disco que marca o regresso da cantora após 15 anos de ausência

Em entrevista à VISÃO, Né Ladeiras, a cantora que foi a voz da Banda do Casaco, um dos mais inovadores e irreverentes grupos da gloriosa década de 1980 da música portuguesa, revela as razões para tão prolongada retirada dos palcos e a demanda que fez por inúmeras aldeias e vilas do país à procura de um lugar feliz.

Ao contrário da medicina, que ainda não encontrou forma de a ajudar a resolver o problema de saúde de que padece, a melhor terapia encontrou-a nos animais, que a rodeiam e se sentam à sua volta quando está a compor, e na música que, revela, nunca deixou de ser a sua profissão, ou melhor, "um modo de vida". Aos 57 anos, a viver em Coimbra, Né Ladeiras lembra os tempos de efervescência que a levaram ainda jovem para Lisboa, uma cidade que adorou, e onde tudo estava a florescer em finais da década de 1970, mas fala também das suas inquietudes, dos ataques de pânico e do medo de morrer que a impede de viver.

Incompreendida por muitos, mesmo aqueles que lhe eram próximos, que não sabiam lidar com a sua doença, é então que decide afastar-se para se tentar reencontrar noutros lugares. Mas foi a música, sempre ela, que conseguiu trazê-la de volta. E foi em Torres Novas, cidade onde passou parte deste longo período de ausência pública, que Né encontrou a inspiração que precisava para voltar às gravações.

Com influências sonoras tão diversas que vão do Médio Oriente à Bretanha, da música Celta à dos Balcãs, Outras Vidas, o álbum que está prestes a sair, tem letras de Tiago Torres da Silva, o letrista que consegue transformar em palavras aquilo que a cantora quer contar e cantar. Ela compõe as músicas e envia-lhe "os lálálás e outras ilustrações fonéticas" e Tiago procura dar sentido às emoções. As outras vidas de que fala o título são as vidas próprias e alheias que se entrecruzam no seu caminho. São histórias de mulheres, aquelas que foi "colhendo ao longo da vida, em livros, filmes, músicas, fotografias". Começando pela história de Avita, uma personagem histórica que Né descobriu quando viveu em Torres Novas, passando por Violeta Parra, Greta Garbo, a escritora e aventureira suíça Isabelle Eberhardt, Frida Khalo e Madre Teresa de Calcutá.

O regresso aos concertos, como o do CCB e o do Conservatório de Coimbra, onde já fez a apresentação do disco, fê-la reviver medos mas, no final, sentiu-se recompensada, "porque é indescritível a felicidade de estar em palco". Sempre descalça, para melhor sentir a energia que flui entre o público e ela própria.

NÃO PERCA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA NA VISÃO DESTA SEMANA, QUINTA FEIRA NAS BANCAS

DISPONÍVEL TAMBÉM: