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Um dos Monty Python humilha internacionalmente Paulo Branco

Cultura

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Ou Terry Gilliam confiou na pessoa errada, ou Paulo Branco não terá sido prudente em meter-se com um Python. A reação à quebra de compromissos do produtor em relação ao seu mais aguardado filme O Homem Que Matou Dom Quixote foi devastadora para Branco

O Homem Que Matou Dom Quixote é um dos filmes mais aguardados de sempre pelos fãs de Terry Gilliam. O único americano dos cinco Monty Python – apesar de ter adquirido dupla nacionalidade e mais tarde ter renunciado à americana, em protesto contra Bush – ficou conhecido pelas célebres e surrealizantes animações, pelas suas pequenas mas marcantes participações nos filmes dos Python, como Cálice Sagrado ou A Vida de Brian, e por ser o realizador de, entre outros, o muito louco e acalmado, As Fantásticas Aventuras do Barão de Munchausen, com Eric Idle.

Mas também é conhecido pela sua pertinácia. O projeto de realizar O Homem Que Matou Dom Quixote, que já teve Johnny Depp no elenco, mas sucederam-se os contratempos naquele que já chamam "filme amaldiçoado". O ator Jean Rochefort sofreu uma hérnia discal, uma inundação destruiu-lhe o cenário... O ânimo de Gilliam – e os dos seus fãs – voltou a iluminar-se quando apareceu um produtor português no seu caminho. Mas, afinal, encontrou-se com mais uma maldição – chamada Paulo Branco.

Na sua página de facebook Gilliam publicou uma imagem satírica de Branco, que se está a tornar viral, com centenas de partilhas e milhares de "likes", insinuando que ele faltou aos seus compromissos e não arranjou o dinheiro acordado.

Tudo parecia o melhor dos mundod, quando, lado a lado, Paulo Branco e Terry anunciavam, em Maio último, em Cannes, o ínicio da rodagem neste Outubro de O Homem que Matou Dom Quixote, o filme suspenso há mais de 15 anos. Gilliam afirmou que Branco era o único homem que poderia fazer o filme, e que este lhe teria sido recomendado por Wim Wenders.

Radiante, Gilliam dizia ainda que tinha mesmo de ser este ano (na efeméride dos 400 anos da morte de Cervantes) e Branco garantia que era o melhor guião que tinha lido na sua vida. O elenco estava fechado (Adam Driver, do Star Wars, e outro Python, Michael Palin, no papel de Quixote), tratar-se-ia de uma mega co-produção entre Portugal, Espanha, Bélgica e França, com um orçamento de 17 milhões de euros, repérage concluída e as 12 semanas de rodagem já toda previstas com início em Outubro: cinco semanas em Espanha, quatro em Portugal e três nas Canárias. Paulo frisou que as empresas produtoras não eram virtuais e que tudo estaria a postos para terminar as filmagens no Natal e apresentar o filme, em Cannes, em Maio de 2017.

Na altura, Gilliam revelou que não iria fazer uma adaptação do Dom Quixote, que Palin faria o papel de Quixote – "patético, ridículo mas amado" e tudo se passaria não no século XVII, mas no século XXI – "mas vocês vão ver como o século XXI vos parecerá antigo", avisou. Adam seria um Sancho muito atípico, "mas ninguém será o que parece"

À última hora tudo caiu por terra. A verba não apareceu. A assombração continua. Contactado pela VISÃO, Paulo Branco não quis fazer qualquer comentário, dizendo apenas que "quando houver algo a dizer, serei o primeiro a fazê-lo".

Veja o vídeo da conferência de imprensa de Maio último, em que tudo entre Branco e Gilliam parecia correr às mil maravilhas