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O Boss também chora

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A VISÃO desta semana desvenda-lhe Born to Run, a autobiografia de Bruce Springsteen, e um dos livros mais aguardados do ano (chega às livraria de todo o mundo a 27 de setembro). Depois de o lermos, há uma sombra negra que fica a pairar, a da depressão que, em vários momentos, tem marcado a vida do músico. Mas há muito mais: uma vida cheia, em curso...

Na VISÃO desta semana, ficará a saber que Born to Run (assim mesmo, sem tradução para português) tem tudo o que se espera das memórias duma rockstar. Os sonhos de infância guiados por estrelas distantes com os nome de Elvis Presley, Beatles ou Rolling Stones... A ascensão lenta, teimosa e cheia de provações, com o desânimo a jogar permanentemente ao braço de ferro com uma enorme ambição. Os primeiros triunfos, o sabor a vitória e as partilhas com os músicos das primeiras bandas. E, depois do disco que mudou tudo (Born to Run, precisamente, de 1975) não faltam outras histórias clássicas do mundo do rock: contratos assinados que acabam em longas disputas judiciais, digressões intermináveis, muitos quartos de hotel, uma camaradagem sem igual, mas não isenta de tensões, com os companheiros de banda, os paparazzi... Os grandes triunfos, neste caso materializados, mais do que em números astronómicos de vendas e lucros, naquele dia em que se viu num palco a cantar entre um stone, Mick Jagger, e um beatle, George Harrison (“O que tem de errado este cenário? Como é que um miúdo de New Jersey acaba, nessa noite, entre estes dois homens, cujo trabalho influenciara de tal forma a sua alma, que ele tivera de seguir a estrada que eles haviam aberto diante dele, de segui‑la com todas as suas forças?”) ou nos 12 minutos bem contados da atuação com a E Street Band no intervalo da Super Bowl em 2009 (“Senhor, não permitas que faça figura de urso diante de 100 milhões de pessoas”). A revelação sobre canções e álbuns (não espanta saber que Springsteen se sentiu mal interpretado por muitos quando escreveu Born in the U.S.A., mas ficamos a saber que ficou desiludido com o impacto, ou falta dele, de Wrecking Ball, de 2012, muto marcado pelos efeitos da crise de 2008/9).

Mas o que fica no fim da leitura destas páginas sinceras, que nos falam numa voz que conhecemos bem, é uma sombra negra, uma preocupação. Talvez porque esperávamos tudo o que lemos (mesmo o que não sabíamos) menos a luta contra os demónios negros da depressão em alguém que, no palco (o sítio de onde verdadeiramente sentimos que o conhecemos), transpira sempre energia e autoconfiança.

VEJA O COMENTÁRIO DE PEDRO DIAS DE ALMEIDA, EDITOR DE CULTURA DA VISÃO, NA SIC NOTÍCIAS

Bruce Springsteen fala sobre a escrita de Born to Run. Veja o vídeo:

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