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Aura solar

Ferreira do Alentejo

Com um autarca reescreveu o destino de um concelho do interior

Deu-lhe a volta, dizem. À difícil situação de um concelho do Alentejo profundo, na margem esquerda do Guadiana, onde as ligações viárias são difíceis, os recursos humanos qualificados escassos e a base económica havia sido fixada há séculos e há séculos não mudava. 

José Maria Pós-de-Mina começou por apostar, em 2000, na produção de energia solar. Até investiu dinheiro do concelho no lançamento de uma central solar fotovoltaica, na Amareleja. Quando a sua continuação exigiu um cheque de 250 milhões de euros, decidiu vendê-la a uma empresa espanhola. "Acabámos por ter um lucro superior a um ano de transferências geradas por impostos do Estado", assegura o presidente da Câmara Municipal de Moura.  

À central seguiu-se uma fábrica de montagem de painéis solares. Depois, uma empresa municipal de certificação de painéis solares. Finalmente, um programa de apoio à microgeração, que se traduziu em empréstimos sem juros no valor de 70% do investimento, dando origem a 70 unidades domésticas de produção de energia solar. Os projetos saldaram-se em 180 novos postos de trabalho. 

Agora, no seu gabinete repleto de documentos, relatórios e mapas, pode dizer, com segurança: "Estamos à espera da concretização de mais três projetos - um de "fotovoltaico concentrado", outro de "tecnologia de torre" e um de "lâmpadas de Fresnel". Agora, são as empresas que nos procuram." 

Talvez o voltem agora a criticar, como fizeram em 2000, porque decidiu recuperar o controlo da Herdade da Contenda, propriedade da autarquia desde 1895 mas entregue à autoridade florestal nacional desde 1950. Em 2012, a gestão passará a ser integralmente assegurada pelo município. Porque quer uma autarquia uma herdade? "Tem múltiplas potencialidades: cinegética, florestal, pecuária e para turismo da natureza", adianta. 

Hoje a herdade emprega os 11 trabalhadores que o Estado dispensou em 2008, através da lei da mobilidade dos funcionários públicos. Num concelho onde 15% da população está desempregada - sobretudo mulheres -, todos os postos de trabalho contam. E se a expansão do olival não tem gerado os empregos necessários, Pós-de-Mina defende que existem outras opções agrícolas. "Nas freguesias da Amareleja e de Póvoa de São Miguel, próximas do Alqueva, é possível fazer uma ligação direta à barragem e aí produzir horto-frutícolas: citrinos, tomates, alfaces...", defende. Será mais uma mania do presidente comunista de Moura, o economista quatro vezes reeleito pelos seus munícipes. E tudo leva a crer que pode dar certo.