Os demógrafos chamam-lhe a quarta idade as pessoas com mais de 80 anos, um grupo populacional que está a aumentar significativamente em quase todo o planeta. Maria João Valente Rosa, diretora da Pordata, no seu novo livro O Envelhecimento da Sociedade Portuguesa, revela que desde 1971 essa faixa etária quase quadruplicou entre nós.

Esta boa notícia tem, no entanto, alguns "senãos", todos eles um pouco ameaçadores para o futuro da Segurança Social: atualmente já só existem pouco mais de três pessoas em idade ativa por cada idoso. Mas, além disso, todo o contingente de mão de obra envelheceu. Ainda no início da década de 60 os trabalhadores que tinham entre 15 e 24 anos representavam 26% do total, enquanto hoje já não vão além dos 16 por cento.

O livro, editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, revela ainda que, em termos de composição da nossa sociedade, não há grandes razões para otimismo.

Ainda que o índice de fecundidade suba ligeiramente e os saldos migratórios continuem a ser positivos, "por volta de 2060 a população portuguesa poderá continuar próxima dos 10 milhões de pessoas, mas será bem mais envelhecida do que hoje".

E acrescenta alguns exemplos. Naquele mesmo ano, o número de portugueses com mais de 65 anos poderá ser quase o triplo do de jovens. Se se confirmarem as projeções, a população dessa faixa etária representará então cerca de 32% do total e a da quarta idade cerca de 13 por cento.

Se estes números podem representar uma ameaça em relação a quanto iremos receber de pensão, já em relação a quanto tempo nos restará na altura da reforma a perspetiva é animadora. Atualmente a esperança de vida aos 65 já é de 17 anos para os homens e de 20 para as mulheres.