'Não há aí um bonezinho do partido?". À segunda pausa para o café, o senhor António aproximou-se, à espera de um brinde de campanha.

Paulo Portas parecia já ter a resposta engatilhada: "Não há. Nós não gastamos dinheiro, os outros é que dão bonés e enfiam barretes." Nas ruas do centro histórico de Ponte de Lima, por entre as tendas da feira quinzenal, o líder do CDS move-se como peixe na água. Um aperto de mão aqui, dois beijinhos ali, um aceno para acolá, quase sempre acompanhados de um sonoro "Bom dia!", contam-se pelos dedos de uma só mão aqueles que passam sem um cumprimento. Nem que seja preciso dar duas palmadas no capot de um carro até que este pare. E lá vai mais um "bacalhau". Não foi à toa que Portas ganhou a alcunha de "Paulinho das Feiras ". Este é o seu terreno de eleição e não causou surpresa que o Alto Minho tenha sido o cenário escolhido para o arranque oficial da campanha.

'CONVERGIR' COM O PSD

Faltavam ainda cinco minutos para as nove da manhã, a hora marcada para o início da jornada, e já o líder centrista aparecia no Largo Camões. "Onde é que está o Abel? E o Daniel?" perguntas que haveria de repetir, vezes sem conta, ao longo da caminhada. Quando ficava mais algum tempo à conversa com alguém, perdia o rasto do cabeça de lista pelo distrito de Viana (Abel Baptista) e do presidente da única autarquia ganha pelo partido (Daniel Campelo). Com este último, de resto, os desencontros são mais frequentes. Pelo menos desde que o autarca, então deputado, viabilizou aquele que ficou conhecido como "o orçamento Limiano", ainda no tempo do Governo de Guterres. Coisas "que já lá vão", garante Portas.

A indumentária camisa branca, com as mangas arregaçadas, e calças de ganga não foi escolhida ao acaso e fazia jus ao mote, invariável, da conversa. "Trabalho, trabalho, trabalho. Na situação em que Portugal está, temos de apostar em quem trabalha." Para Júlia Pinto, as palavras soavam como música para os ouvidos. "É assim mesmo, o rendimento mínimo é para os preguiçosos. Eu trabalho dois dias num, só para poder viver." A banda sonora da arruada parecia agradar a Portas. "Só no CDS é possível o som de uma campanha ser tão natural ", regozijava-se, depois da visita à feira de gado e momentos antes de se cruzar com a comitiva do PSD que distribuía propaganda na mesma zona. Luís Campos Ferreira, um dos candidatos "laranja" aproveitou a deixa: "Então andamos a convergir?" Portas soltou uma gargalhada mas não comentou. "Até dia 27, todos os votos no CDS são precisos", diria, enquanto se apressava, para estar presente num fórum radiofónico emitido do salão dos bombeiros. António é que não ficou convencido: "Carago, nem um bonezinho..."

 

>> O beijómetro

"Já dei 56 312 beijinhos desde Julho", enumera Paulo Portas. E a campanha ainda vai no adro...