Podia ter seguido as tendências de um dos muitos grupos artísticos que existiam quando começou a pintar, mas não quis ir por aí. Edward Hopper (1882-1967) nunca se deslumbrou com abstracionismos, preferiu, durante toda a sua carreira, retratar cenas da vida real. Custe-nos o que custar.

Madrid recebe-o agora, no Museo Thyssen-Bornemisza, naquela que é considerada uma das maiores retrospetivas alguma vez realizadas na Europa. Edward Hopper, a mostra, é feita com uma seleção de 70 obras do artista norte-americano, nascido em Nyack (estado de Nova Iorque), nos finais do século XIX, e inclui empréstimos excecionais, de grandes museus e instituições, incluindo 14 do legado de Josephine N. Hopper, sua mulher.

A pintura pode retratar tudo, a verdade e a mentira, mas pretende-se, porém, que ela seja real. A de Edward Hopper é - embora todas as suas obras possam ter, naturalmente, leituras diferentes. A interpretação de cada uma delas também nos cabe a nós, que não podemos, no entanto, abstrairmo-nos da densidade psicológica dos seus quadros, que remetem, quase todos, para a solidão e para a melancolia. Tristes? Não. Diz-se que o pintor lia todos os dias um ensaio de Ralph Waldo Emerson (escritor, filósofo e poeta norte-americano, que viveu no séc. XIX), onde está escrita esta frase: "O grande homem é aquele que, no meio da multidão, mantém com perfeita doçura a independência da solidão." Mas além de ter "enfatizado" a solidão e o drama da existência humana, as suas obras estão cheias de luz, de sol, de cores verdadeiras que reproduzem o mundo ou um bocadinho dele.

"Apesar da sua grande popularidade e aparente facilidade, as obras de Hopper são um dos fenómenos mais complexos da arte do século XX", consideram Tomàs Llorens (diretor honorário do Museu Thyssen) e Difier Ottinger (diretor adjunto do MNAM/Centre Pompidou), dois dos comissários desta exposição. Para se "fazerem entender" dividiram-na em duas partes: na primeira são mostrados esboços, pinturas, desenhos, ilustrações, gravuras e aguarelas realizadas entre 1900 e 1924; e na segunda podem ver-se trabalhos "da sua fase mais madura ", que ilustram a sua carreira de uma forma mais complexa e ampla. Em ambas as partes fica retratada, fielmente, a América do tempo de Hopper. Como se estivessemos, às vezes, não a ver pinturas mas imagens fotográficas. Fotografias a cor que no tempo em que começou a pintar, como se sabe, ainda eram raras... e muito pouco legíveis. Ele fazia melhor, muito melhor.

CONTACTO
'Edward Hopper'
Museo Thyssen-Bornemisza
Paseo del Prado, 8, Madrid
De 18 de junho a 16 de setembro
www.museothyssen.org