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A inovação e o futuro estão nas universidades

EDP University Challenge

São jovens, alunos universitários e movidos pela vontade de fazer a diferença na realidade que os rodeia. Estivemos na semifinal da 12ª edição do EDP University Challenge para sentir o pulso à revolução.

TiN Brand Studio

Passado o pitch com o juri, os candidatos gravam um video de um minuto para as votações online

Passado o pitch com o juri, os candidatos gravam um video de um minuto para as votações online

Muito mudou na última década no ensino e nos hábitos de estudo. As mochilas que outrora carregavam o peso do conhecimento, em livros e cadernos rabiscados de apontamentos, hoje guardam espaço apenas para um tablet. O velho do Restelo diria que já nada é como antigamente, mas os jovens universitários continuam a provar que é através da rutura que nasce a inovação.

Telmo Vieira é a encarnação desta ideia. “Estava no segundo ano da faculdade e pensei que se um dia desse aulas, gostava que os alunos fizessem cases pragmáticos”, conta o homem por detrás da criação do EDP University Challenge, uma competição que apela ao nervo empreendedor dos jovens desde 2007. Um dos principais problemas nas universidades, explica, eram os trabalhos demasiado “académicos, muito teóricos”, algo que sempre quis mudar.

E foi exatamente isso que fez nos últimos onze anos. Tornou-se professor do ISEG e juntou-se à EDP para criar um projeto que permitisse fazer voar as ideias dos jovens alunos, mas também que os motivasse a aplicar a sua visão na resolução de problemas reais de empresas reais. De Portugal, o projeto viajou até Espanha, Brasil e Polónia, países que hoje contam com a sua própria edição da competição.

“Em alguns casos, se não fosse o University Challenge nunca ninguém teria conhecimento de projetos que são feitos nas universidades, quer em Portugal, quer em outros países”, defende. As ideias que todos os anos aqui nascem podem mesmo vir a ganhar asas, tanto no seio da elétrica portuguesa como em qualquer outra organização mundial.

É o caso do primeiro vencedor da versão polaca do concurso, um grupo de jovens que foi capaz de criar “uma tecnologia nova” baseada numa turbina eólica que viria a receber, mais tarde, um incentivo de 250 mil euros da Comissão Europeia para desenvolver um protótipo. “Se os resultados do protótipo estiverem em linha com o que foi proposto, este grupo tem um projeto que vale biliões”, conta Telmo Vieira entre rasgos de orgulho.

A arte do pitch

As novas tecnologias aplicadas no serviço ao cliente deram o mote para a 12ª edição do EDP University Challenge, que ao longo dos últimos meses tem recolhido candidaturas de jovens de universidades de todo o país. Depois de analisadas, foram escolhidas 15 semifinalistas para integrarem o Pitch Bootcamp – é o momento mais importante que antecede a escolha dos projetos vencedores, mas é também quando os vários grupos têm oportunidade de participar num pequeno workshop sobre como vender a ideia que desenvolveram.

O dia começa cedo na sede contemporânea da EDP, local onde se juntam alunos num misto de nervosismo, entusiasmo e expectativa. Conversam entre si, afinam ideias e trocam argumentos que, horas mais tarde, irão usar para convencer os ‘tubarões’ a escolherem os seus projetos. O objetivo? Chegar aos cinco finalistas e, de preferência, vencer.

As regras estão estabelecidas: cada grupo tem apenas quatro minutos para explicar o seu projeto e convencer o júri de que a sua ideia é, de facto, meritória. Afinal, como se prepara uma apresentação concisa? Miguel Gonçalves, da agência de talento Spark Agency, explica que em primeiro lugar, é preciso “definir bem a dor”, ou seja, identificar um problema na estrutura da EDP, amplificar essa dor e só depois apresentar a solução mágica, o remédio que tudo cura.

Contudo, o ‘médico’ tem de mostrar que domina o assunto e existem várias formas de o fazer. Desde logo é importante apresentar-se confiante, seguro, porque “conhecimento é credibilidade”, afiança Miguel Gonçalves. O passo seguinte é criar um laço com o júri com recurso ao storytelling – desta forma, será mais fácil que algum dos jurados se identifique com o problema e, por consequência, anseie pela proposta de resolução.

“Têm de mostrar porque é que esta oportunidade é merecedora de atenção”, explica, acrescentando que a comunicação corporal é tão importante quanto a oral. “Comunicar com o corpo é entender como o sapiens gosta de receber informação”, embora reconheça que de nada serve se forem cometidos erros como a falta de estudo económico da solução ou da forma como se adequa à realidade da empresa.

O grupo tenta convencer os jurados sobre a importância do seu projeto, o eFootprint

O grupo tenta convencer os jurados sobre a importância do seu projeto, o eFootprint

Depois da tempestade, chega a bonança

Ao longo de mais de uma hora, o júri – composto por dois elementos da EDP e por Telmo Vieira – ouviu e criticou, construtivamente, o argumentário dos jovens empreendedores. Por ali passaram ideias baseadas na realidade aumentada para diminuir o tempo de espera nas lojas da EDP e promover o soft selling; na utilização de chat bots para interagirem com os clientes através das redes sociais ou do site da empresa; e até numa versão aprimorada do re:dy, um serviço que permite medir o consumo de eletricidade em tempo real. “São olhares frescos sobre o que para nós é o dia a dia”, comentava Diogo Ramalho, responsável pela estratégia comercial da elétrica e um dos jurados do painel.

Do outro lado, os alunos deixam dicas para futuros candidatos ao University Challenge. “Para fazer o pitch perfeito é preciso treinar muito com o cronómetro”, conta Mafalda Santos, que confessa ter “boas perspetivas” em relação aos resultados. Já Luís Henriques sugere “ver vídeos, dicas e tutoriais” na Internet, essa nova biblioteca do saber que o ajudou, e ao seu grupo, a preparar-se para a apresentação do projeto.

Sendo certo que não existem receitas mágicas para vencer, os ingredientes fundamentais são o conhecimento do problema e da solução, o seu valor acrescentado e, acima de tudo, as projeções de custos e receitas. “Não basta ter um bom trabalho, é preciso vendê-lo”, conclui Telmo Vieira.